E quando deu aquela trovoada de madrugada, senti que o mundo ia desmoronar. E olhei o céu naquele dia, estava muito azul e límpido, não parecia que ia chover mas choveu, naquele dia choveu quase o dia inteiro. Saí de casa, da minha toca e me sentei na calçada esperando alguém que não sabe onde enfiou o coração, passar por ali também. Eu quis tanto me perder dele e depois me vi o procurando feito louca, desvairada. Naquele dia não houve arco-íris depois do temporal, eu entendi que também não haveria moral da história. Eu sempre usei de metáforas pra explicar as coisas, mas naquele dia não seria necessário. Porque naquele dia, tudo que eu havia aprendido parecia não ter mais serventia alguma? Eu fiquei esperando uma resposta, mas compreendia que ela não viria tão cedo e talvez tarde demais, pra dar tempo de espera-la. Juntei meus cacos e saí em busca de algo que eu não sabia o que era, mas sabia que quando encontrasse me faria tão bem que não sairia mais de perto, nem ele de mim, acho que eu já sei o que é agora. Eu só queria encontrar um lugar que tivesse a minha flor preferida e o cheiro mais desejado chegasse de surpresa e acarinhasse meus cabelos, assim como quem nunca quis ter ido embora e como quem não vai mais, não pretende. Como quem prometeu e dessa vez vai cumprir.

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