Só me lembro de ter pensado que não queria ficar em casa essa noite. Uma, duas, três batidas na porta e eu não estava esperando ninguém. A pipoca estava esfriando e o filme começando, havia parado de beber refrigerante há pouco tempo. Ainda não tinha me curado de muita coisa.
— Oi?
— Posso entrar?
— Pode sim, entra aí.
— O você está fazendo? Assistindo filme e comendo pipoca ao mesmo tempo de novo? Já parou com o refrigerante né?!
— Eu sou tão previsível assim? Não sabia… É, eu parei faz um tempo (mas você não sabia porque não esteve comigo nos últimos dias, não sabe de tanta coisa)
— Eu sei o que você tá pensando, como eu sou intrometido né? Você nunca gostou disso em mim, dizia que era um dos meus piores defeitos.
— Na verdade não era isso não mas deixa pra lá, eu dizia isso pra te irritar, eu não achava que fosse um dos seus piores defeitos, eu disse isso algum dia?
— Aham, várias vezes e agora eu sei porque.
— Pois é, então você vai ficar aqui? (Você quer ficar e assistir filme comigo? Eu e minhas recaídas)
— Não seria muito incomodo?
— Certo, nem precisa terminar essa frase, você tá tentando parecer romântico?
— Nem percebi, não estou, pareço estar?
— Você finge muito bem ou eu que sou muito lenta?!
— Não me responde uma pergunta com outra pergunta, você sabe que eu odeio quando faz isso.
— E disso você não esqueceu, suponho.
— Esqueci de outras coisas.
— Eu sei, porque você está aqui?
— Não, eu não quero conversar, talvez amanhã.
— Eu não suporto essa sua mania de deixar os assuntos mais graves pra depois.
— Quer uma dor de cabeça dessas à essa hora? Você estava assistindo filme e comendo pipoca antes d’eu chegar, provavelmente nem pensava nisso há um bom tempo.
— É, diz você que me conhece bem…
— Odeio esse lance que você tem com a ironia, não sabe a hora de parar.
— Ué, eu nem tinha sido irônica ainda, você que não sabe perceber quando eu estou realmente falando sério.
— Tanto faz, vamos dormir?
— Como?
— Dormir, eu sei que você não tem praticado muito esses dias mas é bom sabe? Relaxa a mente e o corpo.
— Eu sei o que é dormir, eu só não entendi qual a lógica da tua pergunta.
— Nossa, eu achei que eu fosse óbvio sempre.
— Nem sempre.
— Eu me lembro que você sempre foi essa pessoa insegura desde que te conheci, então eu vou dizer com todas as letras pra você não ter dúvida, mas não me culpe amanhã. Q-u-e-r-o d-o-r-m-i-r c-o-m v-o-c-ê. Pronto, ainda restam dúvidas?
— Não precisava soletrar idiota, eu nunca sei o que você quer dizer, tá sempre brincando.
— E você tá sempre séria, já disse pra você parar de ser assim.
— Eu só sei ser desse jeito.
— Problema seu.
— Ótimo.
— Então, eu posso?
— Pode, e eu não vou te culpar amanhã. Mas vai cada um pra um lado, se é que me entende. Ainda não tô boa o suficiente.
— Pra ficar tão perto de mim?
— Não complica as coisas, e para de me encarar, mais uma coisa que eu odeio quando você faz.
— Ok, caso contrário essa conversa de dois amigos estranhos termina amanhã.
— Verdade.
Eu fiquei de um lado da cama e ele do outro.
— Posso ao menos te abraçar?
— Tô assistindo o filme.
— Mas já acabou!
— Gosto de ver os créditos finais.
— Ah fala sério, não tem mais como me evitar, eu tô do teu lado, bem aqui. Tinha que ter feito isso antes, agora não adianta mais.
— Adianta sim.
— Quem disse? Você sabe bem que isso não dura muito tempo.
— Eu sei mas hoje eu quero ir até o meu limite, se você não jogar baixo como respirar no pescoço. Para com isso, por favor?
— Você não quer que eu pare.
— Meu bom-senso é quem manda agora.
— Ok, não vou forçar. Mas a gente pode ao menos dormir abraçados? Eu sei como você agarra o travesseiro porque de alguma forma se sente mais segura. É melhor com alguém que pode te proteger de verdade.
— Você não disse isso, por favor… O que eu falei sobre golpe baixo?
— Você disse respirar no pescoço, o resto você não tocou no assunto.
— Eu sei, mas com palavras é pior, você sabe e faz.
— Lógico, é meu bom-senso me dizendo pra ir em frente.
— Em frente?
— É e vamos dormir logo, vem aqui.
Ele põe os braços em volta da minha cintura, mais um ruído de respiração no meu pescoço ou palavras letais e minha resistência se esfarela na minha frente mas eu não viro pra não dar de cara com a minha insanidade me abraçando, a pior parte de mim é você.
— Oi?
— Posso entrar?
— Pode sim, entra aí.
— O você está fazendo? Assistindo filme e comendo pipoca ao mesmo tempo de novo? Já parou com o refrigerante né?!
— Eu sou tão previsível assim? Não sabia… É, eu parei faz um tempo (mas você não sabia porque não esteve comigo nos últimos dias, não sabe de tanta coisa)
— Eu sei o que você tá pensando, como eu sou intrometido né? Você nunca gostou disso em mim, dizia que era um dos meus piores defeitos.
— Na verdade não era isso não mas deixa pra lá, eu dizia isso pra te irritar, eu não achava que fosse um dos seus piores defeitos, eu disse isso algum dia?
— Aham, várias vezes e agora eu sei porque.
— Pois é, então você vai ficar aqui? (Você quer ficar e assistir filme comigo? Eu e minhas recaídas)
— Não seria muito incomodo?
— Certo, nem precisa terminar essa frase, você tá tentando parecer romântico?
— Nem percebi, não estou, pareço estar?
— Você finge muito bem ou eu que sou muito lenta?!
— Não me responde uma pergunta com outra pergunta, você sabe que eu odeio quando faz isso.
— E disso você não esqueceu, suponho.
— Esqueci de outras coisas.
— Eu sei, porque você está aqui?
— Não, eu não quero conversar, talvez amanhã.
— Eu não suporto essa sua mania de deixar os assuntos mais graves pra depois.
— Quer uma dor de cabeça dessas à essa hora? Você estava assistindo filme e comendo pipoca antes d’eu chegar, provavelmente nem pensava nisso há um bom tempo.
— É, diz você que me conhece bem…
— Odeio esse lance que você tem com a ironia, não sabe a hora de parar.
— Ué, eu nem tinha sido irônica ainda, você que não sabe perceber quando eu estou realmente falando sério.
— Tanto faz, vamos dormir?
— Como?
— Dormir, eu sei que você não tem praticado muito esses dias mas é bom sabe? Relaxa a mente e o corpo.
— Eu sei o que é dormir, eu só não entendi qual a lógica da tua pergunta.
— Nossa, eu achei que eu fosse óbvio sempre.
— Nem sempre.
— Eu me lembro que você sempre foi essa pessoa insegura desde que te conheci, então eu vou dizer com todas as letras pra você não ter dúvida, mas não me culpe amanhã. Q-u-e-r-o d-o-r-m-i-r c-o-m v-o-c-ê. Pronto, ainda restam dúvidas?
— Não precisava soletrar idiota, eu nunca sei o que você quer dizer, tá sempre brincando.
— E você tá sempre séria, já disse pra você parar de ser assim.
— Eu só sei ser desse jeito.
— Problema seu.
— Ótimo.
— Então, eu posso?
— Pode, e eu não vou te culpar amanhã. Mas vai cada um pra um lado, se é que me entende. Ainda não tô boa o suficiente.
— Pra ficar tão perto de mim?
— Não complica as coisas, e para de me encarar, mais uma coisa que eu odeio quando você faz.
— Ok, caso contrário essa conversa de dois amigos estranhos termina amanhã.
— Verdade.
Eu fiquei de um lado da cama e ele do outro.
— Posso ao menos te abraçar?
— Tô assistindo o filme.
— Mas já acabou!
— Gosto de ver os créditos finais.
— Ah fala sério, não tem mais como me evitar, eu tô do teu lado, bem aqui. Tinha que ter feito isso antes, agora não adianta mais.
— Adianta sim.
— Quem disse? Você sabe bem que isso não dura muito tempo.
— Eu sei mas hoje eu quero ir até o meu limite, se você não jogar baixo como respirar no pescoço. Para com isso, por favor?
— Você não quer que eu pare.
— Meu bom-senso é quem manda agora.
— Ok, não vou forçar. Mas a gente pode ao menos dormir abraçados? Eu sei como você agarra o travesseiro porque de alguma forma se sente mais segura. É melhor com alguém que pode te proteger de verdade.
— Você não disse isso, por favor… O que eu falei sobre golpe baixo?
— Você disse respirar no pescoço, o resto você não tocou no assunto.
— Eu sei, mas com palavras é pior, você sabe e faz.
— Lógico, é meu bom-senso me dizendo pra ir em frente.
— Em frente?
— É e vamos dormir logo, vem aqui.
Ele põe os braços em volta da minha cintura, mais um ruído de respiração no meu pescoço ou palavras letais e minha resistência se esfarela na minha frente mas eu não viro pra não dar de cara com a minha insanidade me abraçando, a pior parte de mim é você.
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