Bagagem e confins da terra

Fugir é um mal necessário nesse momento, 
esperar não é opção, mas se fosse, 
seria escolha, preciso que você entenda.
Eu queimo por dentro e por fora, 
entro em combustão de imediato.
Eu não acredito mais, a fé que eu tinha se foi.
Tudo que eu levo fisicamente falando,
não pesa tanto quanto o que eu levo,
na bagagem interna.
Deixei de fazer o que mais gosto,
pra escrever relatos sobre um homem de bom coração.
Sumimos, viajamos, derretemos... mas não falamos,
essa é a ordem provável das coisas.
Só há o que temer nessa viagem,
"engula o medo e venha comigo", você me pede.
A jornada longa, que vai até os confins da terra,
causa terror em mim.
Suando frio e prestes a fazer uma loucura, 
eu beirei o limite da insanidade.
E há quem diga que "saudade não mata, ninguém morre de saudade."
Tolos, eu penso. E quem dera matasse.
Hoje quase pulei de uma ponte, mata sim.
Parte de mim morreu naquele dia fatídico.
Se despeça e vá embora, dê adeus de longe ou
simplesmente esqueça de se despedir .
Ainda morre cada macromolécula minha,
quando eu lembro: não fui com você.
Aos confins da terra ou ao fundo do oceano.
Ainda morre e eu preciso me recompor, outra vez.

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