Eu não carrego os sonhos das pessoas
Eu carrego as angústias, no que elas pensam ao voltar do trabalho pra casa e seguem insatisfeitas, não mudam a mesa de lugar ou o sofá ou a cama. É tudo assim ou não será. Agora ou nunca mais. Percebi isso quando o ultimo cara com quem eu saí me levou pra jantar e tudo correu bem, ele me falou dos sonhos e do quanto gostaria de persegui-los, perguntou se eu tinha algum, respondi que não e um silêncio inadequado se apropriou do espaço que compartilhávamos risadas e drinques, choros lacinantes e voltinhas no parque quando não dava mais pra aguentar. Ele não perguntou das angústias, ora, mas quem perguntaria santo deus? Eu só estou falando ladainhas e despejando trocadilhos infames naqueles que tentam ter qualquer conversa que não envolva choro ou abraços de consolação e vai ficar tudo bem, tenho certeza que vai. Digo, pra ele, não pra mim. Afinal, as angústias são qualquer coisa minúscula e saciável perto dos sonhos, quem disser que não certamente tem uma teoria do porquê, e se não tiver há de inventar. Pois bem, chamo as pessoas de pessoas porque a ideia de ter algum vinculo assim que não sejam apenas amáveis estranhos que distribuem flores na rua, ou lhe encaram firmemente tentando adivinhar o que tem dentro de você, simplesmente me apavora. Eu corro, fujo pra longe, solto fumaça ou viro um objeto inanimado. No fim, não era nada disso que se tratava. Os estranhos não são mais estranhos e também vão embora um dia. 

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