Não sei o que esperam de mim. Não sei o que espero deles. Esses dias enquanto navegava pelas mil e uma facetas da internet, descobri textos e mais textos, descobri uma pessoa. Suas palavras faziam soar um tipo de sino que eu tenho dentro de mim, tenho certeza de que era um chamado para algo importante, mas deixei passar pois não queria me ver paranóica e ansiosa, carregada pela montanha de sentimentos que me cobrem quando eu penso não sentir, juro não sentir e não precisar. Faz semanas que não limpo o lugar de guardar os livros, a alergia aumentou... Continuei a ler todo aquele conteúdo que me deixava extasiada e me dava a sensação de já conhecê-lo, não o texto, a pessoa. Fiz pouco caso pois não deve ser grande coisa, pensei.
Não consegui dar continuidade ao que estava na minha cabeça, prestes a explodir. Minha cabeça já não é como antes. Agora me vem uns pensamentos como se fossem zumbidos de mosquitos chatos que eu espero pacientemente irem embora. O tempo que está fazendo não tem nada a ver com isso tudo, mas as vezes penso que tem. Que eu estou ficando louca, alucinando, eu que nunca usei droga na vida. Tudo é uma droga. Perdi a concentração, o pouco foco que eu tinha. Não estou dizendo que seja por causa disso, é porque eu não sei a causa que estou dizendo. Aliviar a tensão, lidar com os problemas, eu preciso fazer alguma coisa pra melhor e não tenho certeza do quê.
Em poucos dias vou me mudar, fica martelando na minha cabeça confusa que uma nova casa pode me fazer esquecer velhos sentimentos, sensações, emoções. Por enquanto está tudo em preto e branco, eu aceito e vou levando. Me tiraram o sossego e eu continuo tentando trazê-lo de volta. Como se eu tivesse uma espécie de missão, eu que nunca fui muito bom com metas. Mas é minha paz, é a serenidade que eu tento ter, é o amor que eu carrego no peito manchado por outras pessoas. Espero uma calma que eu não tenho pra ficar bem, e vou continuar esperando. Tomo café forte e preto pois não consigo me dar com o chá das mocinhas da minha idade. Elas dizem "chá é pra toda hora" e eu não entendo.
Nesse momento, manchei as páginas preferidas de um caderno grosso que eu tenho, ele tem a capa vermelha e é bonito, com as folhas cheias de desenhos além dos meus próprios. Calcei os sapatos, esse ano resolvi optar por um par de sapatos marrons e estou me dando bem com eles. Tem uma janela na minha casa, que dá de frente com um prédio que eu sempre sonhei em visitar, como naqueles sonhos que você tem quando criança e continua a ter quando cresce, um daqueles que não morre. Começo a lembrar de minha infância, e da adolescência não muito feliz, "curte a vida!" eles diziam e me empurravam pra fora de casa. Eu saía e topava com pessoas alegres e outras desesperadas, algumas caladas e esperava que desse tudo certo. "Não pode chover, não agora" eu dizia, e torcia. As vezes acontecia, outras eu preferia não correr o risco.
Lembrando da adolescência, me recordo principalmente de beijar desconhecidos. Ir pra lugares barulhentos, fechados e com a fumaça até as orelhas. Andávamos em grupo, minhas amigas e eu, mas isso não era o bastante e eu me sentia desprotegida, só não sabia na época. Fazia coisas pra agrada-las e funcionava por um tempo. Eu não me cansava nunca de não ter opinião, ou vontades. Simplesmente me submetia e no dia seguinte me sentia mal, fazia tudo de novo no final de semana seguinte. Até hoje tenho hábitos que me colocam em maus lençóis comigo mesma. Não faço terapia porque não lembro de procurar e quando lembro, não lembro de mencionar que quero começar. Não tenho medo de descobrir coisas sobre mim, tenho medo de não saber lidar quando isso acontecer.
Então, eu vejo que a vida é um abrigo e nós somos os abrigados. Como naquele livro sobre nazistas e uma menina que roubava livros, onde eles se escondem num tipo de porão e ela lhe conta histórias pra desviar a atenção não só das crianças, mas de todas as pessoas. Desviar a atenção da morte inevitável que estaria por vir, ela tinha esperança e espalhava isso quando lia, em seus olhos e trejeitos. O abrigo não nos põe pra fora, mas nós começamos a ver motivos pra sair. Ou porque não cabe todo mundo, ou porque não sabemos lidar com todos que entram e querem ficar. Aqueles que querem ir embora também fazem laços. "Ninguém é insubistituível" eu ouço por aí. Não acredito. A profundidade daquelas palavras me tocam mas não me deixo levar. O mundo é um abrigo enorme debaixo do céu, nós somos os abrigados e o céu me parece um bom telhado agora.
Não consegui dar continuidade ao que estava na minha cabeça, prestes a explodir. Minha cabeça já não é como antes. Agora me vem uns pensamentos como se fossem zumbidos de mosquitos chatos que eu espero pacientemente irem embora. O tempo que está fazendo não tem nada a ver com isso tudo, mas as vezes penso que tem. Que eu estou ficando louca, alucinando, eu que nunca usei droga na vida. Tudo é uma droga. Perdi a concentração, o pouco foco que eu tinha. Não estou dizendo que seja por causa disso, é porque eu não sei a causa que estou dizendo. Aliviar a tensão, lidar com os problemas, eu preciso fazer alguma coisa pra melhor e não tenho certeza do quê.
Em poucos dias vou me mudar, fica martelando na minha cabeça confusa que uma nova casa pode me fazer esquecer velhos sentimentos, sensações, emoções. Por enquanto está tudo em preto e branco, eu aceito e vou levando. Me tiraram o sossego e eu continuo tentando trazê-lo de volta. Como se eu tivesse uma espécie de missão, eu que nunca fui muito bom com metas. Mas é minha paz, é a serenidade que eu tento ter, é o amor que eu carrego no peito manchado por outras pessoas. Espero uma calma que eu não tenho pra ficar bem, e vou continuar esperando. Tomo café forte e preto pois não consigo me dar com o chá das mocinhas da minha idade. Elas dizem "chá é pra toda hora" e eu não entendo.
Nesse momento, manchei as páginas preferidas de um caderno grosso que eu tenho, ele tem a capa vermelha e é bonito, com as folhas cheias de desenhos além dos meus próprios. Calcei os sapatos, esse ano resolvi optar por um par de sapatos marrons e estou me dando bem com eles. Tem uma janela na minha casa, que dá de frente com um prédio que eu sempre sonhei em visitar, como naqueles sonhos que você tem quando criança e continua a ter quando cresce, um daqueles que não morre. Começo a lembrar de minha infância, e da adolescência não muito feliz, "curte a vida!" eles diziam e me empurravam pra fora de casa. Eu saía e topava com pessoas alegres e outras desesperadas, algumas caladas e esperava que desse tudo certo. "Não pode chover, não agora" eu dizia, e torcia. As vezes acontecia, outras eu preferia não correr o risco.
Lembrando da adolescência, me recordo principalmente de beijar desconhecidos. Ir pra lugares barulhentos, fechados e com a fumaça até as orelhas. Andávamos em grupo, minhas amigas e eu, mas isso não era o bastante e eu me sentia desprotegida, só não sabia na época. Fazia coisas pra agrada-las e funcionava por um tempo. Eu não me cansava nunca de não ter opinião, ou vontades. Simplesmente me submetia e no dia seguinte me sentia mal, fazia tudo de novo no final de semana seguinte. Até hoje tenho hábitos que me colocam em maus lençóis comigo mesma. Não faço terapia porque não lembro de procurar e quando lembro, não lembro de mencionar que quero começar. Não tenho medo de descobrir coisas sobre mim, tenho medo de não saber lidar quando isso acontecer.
Então, eu vejo que a vida é um abrigo e nós somos os abrigados. Como naquele livro sobre nazistas e uma menina que roubava livros, onde eles se escondem num tipo de porão e ela lhe conta histórias pra desviar a atenção não só das crianças, mas de todas as pessoas. Desviar a atenção da morte inevitável que estaria por vir, ela tinha esperança e espalhava isso quando lia, em seus olhos e trejeitos. O abrigo não nos põe pra fora, mas nós começamos a ver motivos pra sair. Ou porque não cabe todo mundo, ou porque não sabemos lidar com todos que entram e querem ficar. Aqueles que querem ir embora também fazem laços. "Ninguém é insubistituível" eu ouço por aí. Não acredito. A profundidade daquelas palavras me tocam mas não me deixo levar. O mundo é um abrigo enorme debaixo do céu, nós somos os abrigados e o céu me parece um bom telhado agora.
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