Continuo na busca incessante. Falho miseravelmente todos os dias. Esqueço de viver, de respirar. Ninguém me disse nada, quem dera tivessem dito. Eu só fico sentindo. Sinto o peso dos dias mas não é isso que me corrói. O que me corrói é sentir apenas isso. Não sentir mais nada valioso. Ou nada, mesmo. Despertar a emoção tem sido razoavelmente fácil, porém despertar o sentimento e a sensação que vem embutida nele. Isso tem sido deplorável. Penso que se eu voltar a escrever todos os dias, talvez eu volte a ser quem eu era quando escrevia.

Ser. Essa é a questão toda. Não pra onde vamos e de onde viemos. Não há livros de autoajuda que me amarre os pés no chão. Sinto que flutuar seria uma ótima escolha. Voar com velocidade considerável então, seria quase um sonho. Sonhos. Outra questão bastante importante que me faz revirar os olhos de revolta e marasmo. Tanto isso, tanto aquilo para nada. Os sonhos são uma maneira de me manter viva, eu acho. Sim, acho, porque não tenho certeza se tenho um sonho. Penso que se todo mundo sabe se tem um sonho, logo, se eu não sei, então eu não tenho. E isso é de certo, um alívio, talvez. Tudo é um Grande Talvez.

Talvez eu volte a ler livros com frequência. Talvez eu monte uma biblioteca quando for morar sozinha. Talvez eu consiga viver até os 40. Talvez eu ainda goste das mesmas coisas que gosto hoje. Talvez minha família mude o jeito de pensar. Talvez, talvez, talvez. Talvez eu deva mandar fazer uma camiseta com isso escrito, explicitando bem a minha resposta para tudo e qualquer coisa. Talvez eu consiga mudar quem eu sou agora. Talvez não seja a coisa certa a se fazer. Ou talvez não exista coisa certa, ou errada. O que eu sei é que a vida é um Grande Talvez e fica cada vez maior.

Talvez passe por cima de mim, talvez eu não tenha acabado esse texto de grandes baboseiras inúteis e alguém imprima e use para acender uma fogueira num lugar remoto e seja mais feliz do que é hoje. Tudo é um Grande Talvez. 

Comentários

Postagens mais visitadas