Acordei cedo, com lembranças pesadas, a infância sempre deixa marcas. Lembrei do meu primeiro beijo, que foi um desastre monumental. Depois, dos anos que se seguiram, é sempre tempo de esquecer. Ainda há tempo para não ser o que se é, ou eu prefiro acreditar nisso. O jeito que dançamos naquele ano, naquela vida, me fez mais feliz e eu não sabia. Tenho memórias terríveis dessa parte da minha vida, amores não recíprocos desde sempre. Ainda hoje, tomo banho e lá está ela, a infância. Quase saí dela ilesa, mas me acertaram dia-após-dia. Quero levar pro túmulo algumas coisas, a garganta fecha de lembrar. De acostumar. Esse acostumar é que dói instantaneamente. Acostuma-se a ser um pouquinho infeliz a cada dia. Se tolera a angústia. Se acumula o desespero. Me percebo inteira mas estou quebrada.
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