envelheci dez anos ou mais, nesse ultimo mês, tenho certeza. as paredes me consomem, o videoclipe dos anos 80 me corrói, ninguém tem culpa. a mesa de trabalho se tornou mesa de trabalho e nada mais, antigamente era meu furor, meu refúgio, eu era vulcão antigamente, antes de tudo. as janelas estao pintadas de um azul que eu não escolhi, e eu pensava estar sempre reclamando dos móveis, dos lugares, das pessoas, de tudo que me aborrece um pouco a cada dia. chorei deitada na cama com um travesseiro no rosto, uma coisa corriqueira que acontece muitas vezes em muitas casas com muitas realidades diferentes, ordinário mas não banal, entende? escrevi em um caderno velho pensamentos de um outro tempo que ainda ecoam na minha cabeça, eu ainda estou na cidade imaginária no meu túnel imaginário e não tem luz lá. tem um livro da minha infância, a maioria das coisas importantes acontecem na infância, dizem. ninguém avisa essas coisas quando somos crianças prontas pra pular de um pedaço de concreto acabado e prestes a cair, a gente cai…. e não se levanta. vemos poemas poesias prosas romances contos histórias a gente viaja e volta sem sair do lugar a gente vai pra um outro tempo e quer permanecer no nosso a gente é sem igual, eu juro. costumava jurar muitas coisas na infância, eu juro. é verdade. o tempo passou e passamos a decorar letras de musicas que ficam na nossa cabeça como uma sina a ser combatida, como um aval dos deuses. a gente se deitou na cama e já está tarde, tudo passou tão rápido, as horas a vida. a gente não foi feito pra durar e dura.
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