sobre a possibilidade infinita
a madrugada é minha companheira, mas ultimamente, eu a tenho deixado na mão. nao tenho ficado acordada para presenciar seus feitos, como os de me fazer voltar no tempo a olhar pelas grades do portão da minha casa. quando chove e é madrugada quase sinto os anos voltarem, a nostalgia do sentir, as fendas do tempo abrem a minha ferida de viver. ferida essa que é muito mais profunda e exposta do que todas as outras. foi ao acaso, é o destino, é a sorte, é o azar, é o amor que não se deixa duvidar mesmo depois de tanta muralha erguida, tanta tragédia aceita com calma e passividade. de fato, não sei aceitar a tragédia com calma e passividade, e isso me agride por vezes. simultaneamente, sei que só a ferida aberta é capaz de deixar entrar a luz, a escuridão, o que for, que seja. mas ainda acredito e vou continuar acreditando, mesmo que as folhas não caiam mais das árvores, que estações se cansem de mudar, que as pessoas fiquem estáticas e sem questionar. por mais que me enoje, me embrulhe o estômago, me fira com tal veracidade: acreditar é o mal absoluto e o provável. vou continuar mesmo assim.
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