cresce um sentimento ruim dentro de mim

me come como se nunca mais fosse se alimentar, e essa fosse a ultima vez: a voracidade me preenche toda, eu sou um monstro. tem sempre um sentimento, sensação, ou emoção à espreita, esperando para me devorar toda também. e confirma em mim então, a necessidade que me consome tal como o sentimento ruim me consome, sem dó nem piedade. e eu ficando pequena, do meu tamanho e só. ele, chegando a dimensões inimagináveis. minha barriga dói, meu estômago reclama, tem um bolor na minha garganta, e um desconforto quase conhecido, na beirada do precipício, ou do estômago, como quiser chamar.

o sentimento que é quase meu, é como velho amigo de infância, mas não tão bonzinho. na verdade, é um sentimento que absorvo como meu, pego de volta. fosse outros sentimentos, talvez não, mas esse? não consigo controlar: o quero como um desejo súbito de tomar o que é meu, o que é de mim há tempos e nunca ninguém tirou. o sentimento ruim que é de minha posse e me preenche toda, por que o quero? eu sei a resposta dessa pergunta. porque nenhum outro me preenche toda como se fosse verdadeiramente meu, sem precisar de um apoio. é meu e eu sei, ele me sabe e eu o sei. conheço de longa data.

superficialmente. olhar no espelho e ver, mas não enxergar. o trivial me é necessário, mas não me preenche. o sentimento ruim, esse que denomino apenas como o é. toma proporções loucas e inalcançáveis. ele antes morava comigo, agora mora em mim, e isso é muito mais poderoso. 

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