todas as palavras me fogem. de repente. eu que sempre achei que escrever fosse um risco, parei. mas não parei de propósito. parar foi difícil. abandonar, não mais olhar, desistir e simplesmente parar. e não voltei. até agora. a pausa da respiração eu sempre me lembro, foi minha professora quem ensinou que vírgulas são pausas pra respirar. eu inventei o resto. nunca mais li com a mesma vontade também. a voracidade de antes. o encanto das palavras, das coisas não ditas, das esperas, das obsessões, dos anseios incompreendidos. eu não sou mais quem eu era. não escrevo como antes. agora tudo é mais confuso. desesperador. angustiante. a gente cresce e os anos que passam as vezes não passam dentro da gente. ou passam demais, não sei. os descompassos, os dramas, os finais. quantos ainda terão? a nostalgia nem sempre é minha amiga. mergulho num mar de devaneios e não volto. a vida é muito o tempo todo. ciclos e mais ciclos começam e terminam. a efemeridade é tanta que me sinto sobrecarregada. soterrada de coisas, pessoas, informações, sentimentos. dizem que a gente aprende a apreciar isso mais tarde, tomara que não seja tão tarde que não faça mais diferença. 

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