Entre os intervalos do medo que me dá toda vez que toca a campainha, ou que o telefone toca ou que alguém me toca, qualquer um. Os espaços de tempo-espaço que tem entre todos os meus medos,  desde os mais bobinhos aos mais assustadores demais pra contar. Foi nesse meio que eu me desloquei, virei liquido e escorri pela brecha da porta mais próxima dessa casa que me deixa em pânico. Sobre os medos da minha infância, quando eu olhava pra tudo com coragem, uma super-heroína destemida e sem pudores, eu já fui bem melhor. É porque chega a noite, e encarar o escuro me dá vertigem, fica tudo bem e depois passa e não o contrário. 

Há o soluço onde eu não encontro resposta, onde teimam em me encontrar e me entregar o que eu não quero, como explicar que eu não quero? Tem um choro no final desse filme, é por isso que eu tô melancólica, não me leva a sério mas me leva pra longe. Pra quando eu não tinha medo de sair mundo afora. Pra quando eu segurava a mão de alguém que eu acabei de conhecer e não chamava de estranho. Pra quando eu ouvia canções enquanto pulava corda, e olhava letras de músicas sem ler nas entrelinhas, antes de conhecer as metáforas tudo era menos poético. Eu gostava e não sabia.

Mas eu gosto da poesia também.

A mesma que desliza pelos ralos de banheiros-lixo dessa vida. 

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