Pendurei os quadros na sala, são bonitos, mas não fazem a miníma diferença. Me perdi entre os compassos das músicas que eu ando ouvindo, entrei no infinito que não conhecia, nunca tinha visto e nunca vi melhor. Essa capacidade de julgar, quando eu só desejo afundar num lugar qualquer e confortável, ficar lá pra sempre admirando os restos que as pessoas jogam e não percebem, dói. Talvez continuar seja a solução, fugir dá errado quase sempre. Eu escapo das grades mas me perco nos túneis, vejo entre as cortinas coisas que eu passaria uma vida sem notar, e dói. Todos os dias uma luta se trava em meu interior, eu choro escrevendo, rio sentindo. Rio, rio, rio. Não tem nada pior pra guardar,  eu guardo e dói. Eu lembro e volto. Eu só quero esquecer as batalhas finais por uns instantes. Me anestesiem, me dopem, eu quero perder cada segundo do momento que não me serve. Intolerante aos costumes alheios, uma raça só. A humana, que só sabe doer.


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