i think i prefer my own chaos

quando você me pressionou eu soube, me girar e ficar tonta de tanto amor de você para mim. como numa carta com destinatário e rementente. de você para mim. seus lábios poderiam perfeitamente guardar o momento no qual você contraiu a boca e revirou os olhos deixando escapar o cinismo e a ironia. quando encobrimos nossos rastros indeléveis eu te amei. num raio de mil quilômetros eu fiz questão de te amar um pouco mais, como se meu amor transbordasse sem ser permitido. o quentinho que vinha dos seus braços uniformes e a sua cara carruncuda para tudo que eu dizia até o momento em que você concordou. fez menção com a cabeça desesperamente pr'eu parar de falar, quase me suplicou porque sabia que era um tormento continuar aquela conversa ao mesmo tempo que já se imaginava terminando a noite com os dedos enrolados nos nós do meu cabelo, nos nós de nós, quase um trava-língua, um dialeto desconhecido por mim.

então você resolveu que queria ir embora, de qualquer maneira a essa hora mesmo, sem olhar pra trás. "meu bem, você tem que acreditar em mim" cantorolei. eu te olhava com seus olhos castanhos e mergulhava  nessas águas claras que sua pele parecia pra mim. eu não sabia parar. o dia seguinte esperava ansiosamente pra comer meu fígado e me deixar morrer aos poucos. eu não esperava sequer a hora seguinte. os minutos se seguiam com nós dois emaranhados um no outro, num tapete meio velho, meio acabado, muito cansado. não faço analogias dos romances que não vivi, eu vivi pra ter esses romances. os trocadilhos eram uma armadilha que você sempre caia e nunca aprendia. ainda há quem creia que aquele sinal que você guarda em cima do lábio superior num vermelho perfeito, tem tom de melancolia e caos. como num furacão onde você perde sua família, seus entes queridos. seus lábios bem desenhados pareciam parte de uma cena de crime, desses que só acontecem na minha cabeça.


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