nunca vou me bastar. me fere profundamente admitir isso. nunca vou me bastar porque preciso de canções que me digam algo, de uma declaração sincera de alguém que importa, porque se importar com a gente não basta, sabemos e alimentamos isso a cada vez que o coração não pulsa e as mãos tremulam e as pernas ficam bambas por aquele que se importa. se importar não muda muita coisa, não muda dentro do outro, na maioria das vezes. se importar é como um ato falho ao mesmo tempo que um gesto afetivo e por muitas vezes involuntário, talvez. se se importar fosse mais que isso, não estaríamos em tão maus lençóis como nos encontramos agora, com os braços em volta de um estranho porque fica mais fácil fugir pela manhã. sem compromisso. casual. não vai se repetir. e o amor que nasce de um estranho, é o mesmo que te rasgava antes por outro, tão precioso e imprescidível que você fica parada, franze o cenho e arqueia as sobramcelhas em forma de desaprovação consigo mesma. o amor que te amarra agora e te corta com lanças medievais, é o mesmo de outrora que você achou não vir nunca. se atrasou dez minutos e você foi embora, pegou o primeiro trem que lhe levou pra longe, mais precisamente onde não pudesse ser encontrada. porque você sabe no fundo do seu ser, que o amor te encontrou. e você fugiu tão desesperadamente que esperou dez minutos a mais, como se soubesse do atraso. como se soubesse das coincidências e não acreditasse em destino. fugiu de um amor arrebatador como o outro fugiu de você. se tornou seu próprio karma. 

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