estou sempre escrevendo sobre memórias, quando não, estou pensando nelas. fui fisgada pelo passado, e já faz tempo, não sei se volto. na verdade isso só me lembra de que sou uma estrutura pouco sensata e quase nada sã. no final de cada noite recorro ao passado como quem precisa desesperadamente de um artifício. você não vai acreditar mas eu só vou ter uma boa noite de sono se pensar bastante no passado, e em tudo que fiz de errado. deitar a cabeça no travesseiro é difícil se ainda não trotei pela estrada da memória. estou lendo um livro que me faz entender melhor essa história de passado. de certo, ainda não sei se estou vivendo a crise dos 21 ou se é uma causa desconhecida que traz consequências drásticas. o livro nem fala desse troço todo, ele é bem geral mas tem alguma coisa muito forte nele que me tocou. me tocou porque entender minhas memórias é uma coisa que faço desde sempre, mas entender a do coletivo, não é tão frequente. as palavras da autora me intrigaram, relacionando o nazismo aos potes de vidro que minha avó guarda e acumula ao longo do tempo. relacionando todo tipo de lembrança com o sistema nervoso central, porque na verdade tem tudo a ver, mas ninguém conta isso como tópico no café da manhã. andei pensando nas coisas que construí, e chego à conclusão de que não construí nada de verdade, nada verdadeiro, mesmo. estou sempre misturando os assuntos, e agora compreendo o porquê. é a porcaria da minha memória. de fato, nossa memória é seletiva, existe um mecanismo de defesa em todos nós que nos faz selecionar certas memórias para vir à tona, e bem, nós somos condescendentes com nós mesmos, eu juro. 

Comentários

Postagens mais visitadas