Ninguém me parou no caminho, eu fui em busca de um motivo ou um grande talvez. 
Ela tinha os cabelos sujos e desgrenhados, as mãos e as pernas cinzentas de quem não cuidava da pele. Os olhos pequenos e inchados, e uma bagagem emocional das grandes, daquelas que se consegue ver de longe e nem se quer chegar perto. Mas ele queria, isso tornava tudo mais fácil. 
Ela foi caminhando rápido, quase correndo. Não tinha acontecido nada de importante em casa, nenhuma briga com os pais ou irmãos, nenhuma humilhação ou degradação, nenhuma rejeição disfarçada de ‘te quero bem’, nada disso. E era insuportável lidar. 
Parou e pensou, enquanto a chuva caia lentamente nas suas costas nuas, ela usava sua blusa predileta e trazia uma mochila de alça grande o suficiente para pendurar em qualquer parte do corpo. Depois de ter pegado um ônibus e ter tido contato visual com várias pessoas diferentes e desconhecidas, ela seguiu algum rumo. E parecia certo na hora. 
Não queria voltar pra casa tão cedo, queria paz e era só. Sonhava sempre que se encontrava com alguém e tinha conversas agradáveis no final da tarde. Atravessava a rua na faixa de pedestre e estava tudo bem. Mesmo parada sentia a respiração ofegante, achou mesmo que não ia resistir. 
Ele chegou à pé também, mas não fazia ideia de como voltar… Fosse pra casa ou pra vida e resolveu ficar.
Um olhar foi o bastante. (e um sorriso amarelo)
Café era uma ótima escolha, ela não sabia fazer qualquer tipo de contato. Foi triste nas suas circunstâncias mais banais. Deixar se esvair como fumaça, a possibilidade e o possível desinteresse depois dos segredos postos à mesa.
Foi por isso que ela preferiu ir embora e não viver nenhuma experiência. E foi trágico por quem sabe, poder ter dado certo. Ela não sabia e não queria saber.
A ausência de dor nunca é provável, mas ela tentou. 

Comentários

  1. Finjo estar feliz, mas não estou.
    Não tenho mais arte, espírito ou engenho...
    Meu fim será desesperação
    Se não tiver sua oração,
    Que pela força com que assalta
    Obtém mercê pra toda falta.
    Quem peca e quer perdão na certa,
    Por indulgência me liberta.

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