Sem tocar no nome da saudade

Ela fedia à ruínas de todos os destroços do mundo
Podridão, decomposição, putrefação
O tema mórbido não a fascinava o bastante
Ela sempre jogava fora tudo que lhe era dado
Tinha pudores e nenhum lema
Parecia uma daquelas crianças enraivecidas por ganhar apelidos (...)
Ela não gostava
Contava as estrelas em segredo
Nunca havia compartilhado o amor com alguém
Por isso, na primeira vez não sabia muito bem
Deixou se esvair por entre seus dedos:
uma pele alva e meio rosada, cabelos castanhos e curtos,
mãos pegajosas e o corpo inteiro grudando.
Se fundindo; se colidindo 
"Eu destruo tudo que toco."
Deixou escapar momentos, tendo que viver de lembranças
Se alimentar desses restos incorretos
Conviver com a culpa martelando no peito.
A pele alva e meio rosada, os cabelos ondulados e curtos,
as mãos pegajosas e o corpo inteiro grudento, grudando.
Era tudo falha do passado, que ela carregava
como se fosse presente. 
Gostava dos trocadilhos infames, mas não muito
E só, com ele.
Agora eu entendo com mais clareza e exatidão,
a frustração dos alguéns seguintes que lhe amaram.
E que ela não amou de volta.
Era como pagar 11 e levar 10.
Até que a gente usa a matemática mesmo.
Ela constatou. 

(Dores de outros amores virão. Ela esperava incessantemente ESSE passar.)

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