Você tem mais medo do que eu, afinal de contas huh? Eu te falo sobre os lugares que fui e os que ainda quero ir, te grito que os ventos sopram ao contrário e te compro um pacote do teu biscoito preferido. Você corre desenfreado e atropela todo mundo, não deixa ninguém entrar e ficar. Diz pra limpar os pés no seu tapete de crochê que você mesmo fez, dá duas batidinhas nas minhas costas e vai para o cômodo mais seguro da sua casa, enquanto eu fico procurando me sentir a vontade e me encaixar em algum lugar que não seja porta afora.
Te conto sobre a Astronomia que você acha parecido com Astrologia, e até é se você acreditar em magia. Te observo se observando e se analisando em frente ao espelho. Você não gosta de ficar de lado, acha que seu rosto fica inapropriado para o resto do ambiente. Eu te conto as histórias que minha mãe me contava sobre minha infância, e você quer saber mais. Te revelo que ela adora encurtar histórias mas é especialista em prolongar conversas, você ri e me olha, sabe alguma coisa que eu não sei ou não saquei ou peguei no ar.
Você é um auto-didático nato, te odeio por isso e te amo mais ainda por querer que eu seja também. Quer que eu te entenda mas não que eu concorde, gosta que eu seja diferente porque já se vê todos os dias e não aguentaria uma cópia petulante como você. Você já se basta sozinho, não deixa ninguém perceber que seus entes queridos se foram. Cai fora antes que te achem interessante e acha isso bom, se acostumou a fugir. Descrevo alguém assim e você já acha que eu estou psicologizando tudo, eu acho que os anos chegam mais rápido que a idade, entende?
Fazia tempo.
Hoje eu vou ver alguns dos meus entes queridos, já perdi dois.
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