I can feel your pain
quando você bateu a porta na minha cara por eu ter batido na sua antes e o medo que entrou pela fresta da sua janela, que entrou em você e tentou entender o que tinha acontecido e o que deu tão errado
e o que deu certo, principalmente o que deu certo
eu quero lembrar do dias que éramos só nós e o mundo explodia em água fria, mas nada disso importa… mesmo importando tanto, que eu fui embora mesmo querendo ficar. que o quarto branco ainda é o mesmo só que com alguns raios de sol entrando pra te fazer sentir que o dia clareou e é assustador perceber, eu estou com você.
quero dividir minha pipoca na fila do cinema com você e andar de mãos dadas porque nunca quis. porque se passam os anos mas não passam mágoas que vivem em águas turbulentas, que eu não sei lidar e nunca soube. que a rua 03 ainda é nosso ponto de encontro e que você ainda gosta de sorvete com algodão doce. que isso não te magoa mais que a mim.
pensei em fugir mas acabei trancada no banheiro, chorando. todas as dores que não saiam, e ainda não saíram. eu me dedico em coisa nenhuma, garota desfocada e com forte tendência a sobreviver por mais um dia. um desses que mata ao acordar, ao olhar os pés gelados tocando o chão, ao fazer um café com tanta empolgação e se queimar. ao sair e voltar.
to quase desejando que você venha me ver, e a chuva só nos enganou e a gente descobre que não vai chover bem em cima da hora, porque ela já ia cair mas não vai mais, e hoje vai ser um pouco mais terrível do que ontem. gostaria de te contar que eu me viciei numas canções doídas, com a letra desmanchada em pó ao cair um prédio. qualquer prédio, ela é a própria dor de tão frágil.
você é próprio laço prestes a se romper.
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