ontem eu deitei na cama e fiquei pensando, eu deitei pra dormir mas acabei pensando durante meia hora sobre como eu era talvez um tiquinho feliz antes. eu juro que ir pra balada e voltar com o coração vazio era melhor do que isso que racha o peito de agora em diante. de longa data eu sou infeliz. talvez um pouco a cada dia, sem transbordar olhos tristes e corpo envergado a meia noite na mesa de madeira que fica na sala, ou no sofá desviando o olhar da luz artificial que me cega um pouco toda vez que eu deito ali. bem, deixa eu começar de novo. eu era um tanto feliz porque além de ir pra balada, beijar caras desconhecidos sem rosto e sem nome e voltar vazia, eu tinha um pouco de amor próprio que com certeza eu deixei cair pelo caminho quando me mudei para essa cidade. e o que me restou de uma vida pouco satisfatória foi essa eterna esperança de ser tudo aquilo que não sou. chegar em casa tão cansada tirar os sapatos deitar na cama sem tomar banho e ficar lá por oito horas consecutivas não deve ser sinônimo de estar em paz. perdi a minha paz e nem sei o exato momento, mas faz tempo. o tempo que não vem curando ou resolvendo coisa alguma mas eu não o amaldiçôo, eu fico com o coração fervendo bolhas nos pés ferida antiga mas não me sobra ódio ou raiva ou qualquer tristeza que se afunda junto comigo. a casa que eu moro é a mesma de quando era criança e isso me traz certa nostalgia e pouco de choque de realidade: nada mudou. eu continuo aqui com dores que de um jeito ou de outro me seguem até a outra vida. o conformismo tomou conta da alma que de tanto em tanto usa o pouco para justificar o amor que não me cabe.

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