Tenho 21 anos, as experiências que não tive me comem viva no café da manhã. Tento parar, não pensar, menos sentir, sentir é precioso. Sinto a agulha perfurando meu peito, e dói às vezes. O céu que me dá boa noite e que eu gosto de olhar de madrugada porque tenho a ligeira impressão de que o mundo vai acabar se eu não for dormir, e eu quero ficar para assistir. Existem uns tiques nervosos que habitam em mim como um pássaro habita uma gaiola em que nunca quis viver. As sensações me escolhem todos os dias, e eu deixo. Quando eu sonho, fico tão empolgada que conto para algumas pessoas. Quando me empolgo, fico a falar de uma maneira entusiasmada que as pessoas não parecem entender. Organizo as sentenças na minha cabeça, com a precisão de uma nota mental. Esqueço. Tenho escrito pouco, arrefeço o canto, desconheço o pranto e tudo em mim adormece. Quieta. Calada. Introspectiva. Tenho desejo de ser um outro alguém que eu não me permito. Ser também é precioso. Este texto parece que vai acabar a qualquer momento. O ponto final que eu coloco, as vezes não é pra ser.

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