Senti um aperto no peito, foi isso. Não foram os cigarros, as bebidas ou o pulo que eu dei da janela quando tinha sete anos, ou a vez que caí pela primeira vez de bicicleta, e me espatifei inteira no chão. Foi só um aperto no peito, forte. Não foram os livros ou os cd's que ganhei e disse 'interessante' e calei a boca pelo resto da noite. Foi um só aperto no peito e eu realmente pensei que fosse morrer, mas foi só um. Não foram os chás gelados da tarde e os cafés quentes pra não morrer de rotina, de manhã. Foi um único aperto no peito e não precisou de mais que isso. Não foram as noites que passei sozinha assim que me mudei, Não foram os poemas que tentei escrever depois, ou o adeus que dei de longe e acenei com a cabeça, antes.

Foi um aperto no peito e as memórias voltaram
não foram as cartas escritas e não enviadas
o amor que cresceu e fugiu de casa
não foram as palavras que saíram erradas.

Foi um único aperto no peito, um só e eu entendi: deixaram-me as trouxas de roupa pra levar, mas não deixaram o saber lidar. eu aprendi, eu me queimei antes de aprender, gritei e esperneei até que me ouvissem: EU NÃO SEI LIDAR.

Um aperto estrondoso e letal. 
é mais do que meus gritos podem falar.
e tem mais disso embaixo de mim, não dá pra evitar. 

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