Nesse nada pra fazer, a tv há de explodir. Eu espero, com calma e com tédio. O sofá felpudo que aconchega meu gato, é meu lugar também. A janela com ar de faz-de-conta que isso não aconteceu, eu to com essa mania de fingir. Fingir que não aconteceu. Que eu não pretendo que aconteça. Me deixe em paz. Não me deixe só. Eu to com essa mania de querer morrer a qualquer momento. Não é mania passageira. Mas me disseram. Que tudo na vida é efêmero. Eu te digo que se eu saísse de casa agora não encontraria relações duradouras enquanto espero na fila do pão. Encontraria boas conversas, talvez. Nada que me tire do chão. Foi isso que quiseram dizer com efêmero? A verdade é que tem um tempo que tudo dói em mim, no meu corpo. Não só fisicamente, dói de um jeito que não da pra controlar, arriscar. Não da pra aprender nada novo, do começo. Ainda estamos no primeiro mês do ano, eu procuro detalhes que me façam não ser uma cética amargurada com a vida. O relógio marca meio dia e meia. Passou da hora de acordar. Parei de evitar. Alguém me deu esse banho de coragem enquanto eu dormia. Fui lá, arrisquei e fiquei a ver navios. A vida vai me dar outro banho de coragem.
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