Se eu morasse sozinha caminharia sempre ou nunca. A cozinha seria arrumada e eu teria xícaras com bichinhos de estimação desenhados nelas.
Se eu morasse sozinha talvez bebesse, talvez fumasse, quem sabe não aguentasse. A realidade que me suga.
Se eu morasse sozinha andaria nua e tomaria banhos demorados, leria no chão do banheiro.
Se eu morasse sozinha talvez transparecesse uma paz, um calor humano, um coração quentinho e saudável.
Se eu morasse sozinha teria muitos gatos, mais do que tenho. Poderia sair e tomar sorvete de flocos de madrugada no capô do carro, com alguém que eu encontraria num raio de 10 quilômetros.
Se eu morasse sozinha as utopias iam ser outras, os sonhos não iam caber na mala.
Se eu morasse sozinha não ia haver gritos, roncos ou risadas.
Se eu morasse sozinha, a madrugada me comeria viva. Os alarmes iam soar com frequência na minha cabeça, talvez eu ficasse louca.
Se eu morasse sozinha, a janela seria minha perdição e também meu ato falho, meu torpor.
Se eu fosse morar sozinha, aos 20 e totalmente perdida na vida, ia ser um caso sério. 

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