Acontece sempre que eu adormeço esperando, eu pisco e as luzes estão todas voltadas pro outro lado da rua, onde você vem vindo com a maior calma do mundo no rosto… Eu nem vi você chegar, não fui a primeira à contribuir pro seu ego aumentar. As chances que a gente desperdiçou com os desencontros me parecem maiores ainda de perto, tão perto. Você me perguntou se tinha algum sobre você, eu disse que não quando todos tinham somente um destino (um dia) mas a gente achou que cresceu e mudou tão rápido que nem deu tempo de falar, de colocar embaixo da sua porta, eu nem sei onde você mora mas você me visita todos os dias. A gente disfarçou esse amor, na corda bamba você não se manifestou e eu não, não contestei. 
Quem deu oi primeiro nem tinha mais tanta importância, pra você. Todo tempo era como se eu te conhecesse de novo, você sempre aparecia com novidades pra mim, pra complicar mais o pouco que eu sei sobre ti, irrelevante. Nem sei de nada, desses dias monótonos e maçantes, nem sei mais desse caos que se instalou aqui, tão perto de mim. A primeira folha que caísse no outono era um marco na história, “na minha rua ou na sua?” Não tenho ideia. Você se impôs ao invés de propor, amor eu perdoei, eu contornei mas o limite chegou no seu auge, é o conto das mesmas canções em noites diferentes, eu sei que você entende.
E a gente virou pó amor, se esfarelou no ar como um nada. Eu achei tanto em tão pouco tempo, esses achismos me procuram, eu juro. Eu fico sentada na varanda, vendo as pessoas passarem despreocupadas e penso que uma delas pode ser você, eu tenho morrido esperando por você. Uma busca inútil eu sei, você tá onde quer, mas tenho que dizer isso pra mim mesma com jeitinho. Ainda não sei dessa falta de rotina, mesmos ferimentos e mesmas cicatrizes, deixando marcas. Relatos pessoais que eu deixei de lado, o amadurecimento demora à vir mas ele vem. Nós viramos páginas de nós mesmos, aconteceu ontem mas podia não ter chovido depois. 

[E isso era quase um pedido]

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