Ana e Thiago
Quero escrever, mas toda vez que penso em um diálogo, ele sai correndo e não me espera, como se tivesse vida própria, e deve ter mesmo. Os personagens que crio, nos meus sonhos ou imaginação, estão sempre me rondando. E me lembrando de como se parecem comigo ou vice-versa. Por exemplo, outro dia criei a Ana e o Thiago, eles ficavam tão bem juntos que quando se separavam saía faísca, era só olhar para os dois e perceber que tinham algumas diferenças mas desde o primeiro momento se amaram. Eu não sei começar histórias e as vezes perco o raciocínio -característica de Ana, acho- Eles se conheceram num trem, em outra época. Ana caminhava em direção à sua poltrona ou seja lá como chamam, e Thiago ainda estava perdido naquelas pessoas todas, tal como um cinema mudo. Não estava acostumado com a quietude do mundo e mesmo assim saiu de casa, porque precisava se acostumar. Ana procurava um jeito de não tropeçar ou levar um tombo feio, porque tinha o dom de se machucar, disso ela sabia e constatava cada vez mais. Thiago, como o moço educado que era viu que Ana estava prestes a cruzar com uma maleta que certamente faria um estrago grande no seu joelho, já tão ferido de outras quedas. Ana se pôs a andar rápido na esperança de encontrar logo seu lugar no trem, no mundo. Ela tinha uma imaginação fértil, e de tanto pensar não descansava, ou parava mas geralmente recuava. Quando ela ia encostar na maleta de ferro que um velho senhor havia deixado lá no meio de tudo, Thiago à empurrou para o lado e aí BUM… Vocês conhecem as onomatopeias (eu sei) e foi uma explosão de um sentimento inesperado, mas precisado. Os romances provavelmente não começam assim e eu interrompo sempre que posso, Ana também é daquelas que estragam tudo no começo. Por tal motivo, agradeceu e finalmente chegou à seu lugar, predestinado por todos os outros, menos por ela. Sonhava e de vez em quando, encostava sua cabeça na janela e apostava consigo mesma, os desastres que aconteceriam em sua vida dali por diante. Thiago era aquele moço que ficava satisfeito e se mostrava contente sempre. Ana que sempre colocara sua própria vida em segundo lugar, ainda não tinha reação com o que acontecera. Ele não entendeu nada, entrou em conflito e se perguntava: “que moça mais louca das ideias, de onde surgiu?” E era só no que pensava. Talvez aí nasça o amor, mas o romance com toda certeza estava no ar, um ar que os dois respiravam mas ninguém conseguia explicar. Ana e Thiago tornaram a se encontrar, e como era o previsto tornaram a se encantar, se enamorar e se apaixonar. E eu adorar cada história dessas como se alguém me contasse, pr’eu dormir ou chorar.
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