Não sei escrever com a tv ligada, não sei viver com a tv ligada. Sentindo o cheiro do que está indo embora e do que vem chegando, aos poucos. Em cada vagão se perde um pouco de mim nessa viagem, jogo pela janela um pouco desse peso de saudade que eu carrego, alguns pedaços eu levo nas malas, divididos e ainda sobra, e quando eu chego em casa, tenho que colocar os restos numa caixa qualquer que eu encontrar com o teu perfume, mas a casa já é tão velha e o cheiro de mofo se mistura com o aroma que eu mais gosto. Tento deixar um pouco de alguma coisa sobre mim nas paredes, os baús já revirados por tantas vezes sofrem com a minha insanidade. Eu querendo sair, querendo sumir e não carregar a responsabilidade de um amor que não posso dar, eu queria ser uma versão melhor de mim mesma, eu tento bastante. Eu vou dormir com os ecos da minha própria voz porque agora eu entendi, é o cúmulo da solidão. Eu não queria espaço, eu queria chegar mais perto mesmo não podendo, mesmo não podendo querer eu queria. Eu misturo as histórias e você bate a minha porta, duas batidas são o seu limite, você olha por todas as frestas e não vê qualquer resquício de um corpo que esteve ali, mas então me escreve dizendo que sentiu o cheiro da minha alma, eu acho que já não pode haver qualquer indício de sanidade em você também, mas fico romanceando isso, pra ter uma chance de alguma coisa bonita acontecer na minha vida (eu sou um ser egoísta e sei disso, mas estava destruindo o pouco de amor-próprio que me restava) E você cuida tão bem do seu, eu me contentava com um pouco de qualquer coisa. Mas os farelos que você deixou, me fizeram querer o máximo de tudo. Sinto muito.
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Comentários
Postar um comentário