Para o amor

Hoje eu vesti branco pra ir à aula, cheguei uma hora antes porque acredito nos atrasos nas horas mais improváveis. Enquanto caminhava quis que você caminhasse junto, maa sabia que você provavelmente estaria em casa contando pra si mesmo sobre meus desastres e o jeito como você tenta desesperadamente não me  perdoar, eu sei porque eu também não me perdoaria. Eu tenho saudade e você guarda a esperança em um pote sem tampa, como se ela  sempre estivesse sujeita a sair voando por aí. E é quando eu me lembro da noite em que cheguei em casa, tirei os sapatos desconfortáveis e senti a sensação de alívio, andei por todos os cômodos te procurando, sabendo lá no fundo, que você já tinha ido. Você falava sobre sair e encontrar um rumo, eu pensava que meu rumo era você, e que eu não ia mais perder. Pintei as unhas de preto e encarei o relógio, com uma tristeza que nada tinha de fajuta, me desculpe, eu dizia. Por todos os farelos de mim deixados na sua cama, é que especialmente hoje eu virei pó. Escrevi e mais uma vez, não era o que eu queria dizer. Eu não queria mais drama desses engarrafados que a gente compra nas farmácias de todas as esquinas que a gente esquece de chegar. Eu não soube lutar ou demonstrar, eu só carreguei tudo que podia na minha imensa solidão desde sempre.

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