Eu gostava de começar os textos pelo meio, era um hábito. Queria dividir as folhas e ao mesmo tempo espalha-las pelo chão, gostava de como as letras caiam sob o papel. Minha letra sempre foi muita desajeitada, aos trancos e barrancos eu entendia alguma coisa.
Depois eu entendi.
Eu apreciava a bagunça mas a agonia era forte, dura e indestrutível. Minha mãe diz que a organização é meu ponto fraco. Eu vejo isso, em todos os sentidos. De dentro pra fora eu fui no meu limite e voltei, de fora pra dentro é tudo farsa. 
Bastava varrer a sujeira para debaixo do tapete, trapacear era meu ponto forte. Quero dizer que isso não fazia parte dos planos, mesmo que eu não fizesse nenhum. Entende? Era meu ponto forte porque eu vencia isso, dentro e fora de mim eu consigo vencer isso. Toda essa coisa me cobrindo de quem eu realmente sou. 
Por mais que chova ou faça sol, por mais que eu chore ou dê gargalhadas… É a mesma coisa. 
São épocas diferentes mas as regras continuam. 
Eu não quebro janelas ou saio derrubando coisas. Eu não explodo e deixo tudo fora do lugar. Eu implodo e fica tudo bagunçado dentro de mim. A auto-destruição é uma peculiaridade minha ou nem tanto. Eu não me considero especial, eu simplesmente não me considero e isso parece ser pior do que não ter fé nenhuma. 
Eu dou voltas e voltas em torno de mim mesma e tudo que eu encontro é poeira e as traças remoendo minhas coisas, porque de algum jeito eu deixo o tempo passar mais do que o combinado. Mas isso não é um acordo, então eu coloco tudo em caixas novamente e me mudo.
Mais uma vez, eu tenho uma dúvida.
Eu mudo de casa ou de mim? 

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