Parece um erro lembrar de você. Um erro brusco e feio.
A chuva, a calçada e as palavras me dizem que você ainda virá. Estariam elas mentindo e alimentando a minha dor de não te ver logo? Prolongando um sofrimento que provavelmente acham que faz bem?
Tenho poucas lembranças suas, e com o passar dos meses vão diminuindo na minha memória. Chego à pensar que esquecerei seu rosto, quem me dera. Tenho uma lista de coisas que nós nunca fizemos juntos.
Mas quando você dava aquele beijinho quente no meu rosto e me segurava como se não fosse soltar e pedia só mais um, por favor. Parecia eterno, você tem que admitir.
Quando você escrevia palavras doces pra mim e quando não funcionava, usava a forma sórdida que você sabe melhor. Você não gostava da atenção que eu te dava, porque faltava.
E eu me imaginei usando suas metáforas, foi meio fantasiosa mas eu considerei. Desde sua partida muita coisa não tem sido realística na verdade.
Te vi como um mendigo pedindo um pouquinho de amor, escorado na parede com roupas velhas e rasgadas (e soa um pouco dramático). Você queria carinho e mendigava por isso e de repente gritava comigo, eu me rendia à mim mesma e sabia mas não admitia.
E provavelmente, deixava pra outro dia.
O outro dia não chegou e eu tive que me contentar, guardar o que eu não sei manter em segredo.
Então apague as luzes e feche a porta quando sair, tudo foi abandonado há muito tempo por aqui.
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