Eu pensei que queria parar.
Arranquei todos os botões que pudessem me lembrar, joguei fora todas as possibilidades e estraguei todo o resto, qualquer resto que fosse. Eu estava no caminho de casa quando você me ligou, exasperado e eu do outro lado, suava frio.
- É você não é?
- É claro que sou eu, você me ligou lembra?
- Eu sei, eu tô perdido.
- Não acho que você tá perdido, acho que você se encontrou.
- Você não entende, não é?
- Isso não vai virar um daqueles diálogos sobre crise existencial, eu te peço.
-Tudo bem.
- Tudo bem mesmo?
- Sim, eu também não ia querer me ouvir, soando desesperado do outro lado da linha.
- Você nunca aprende à filtrar os assuntos, não é?
- O quê? Eu nem sei o que isso quer dizer.
- Esquece, mas é algo que você não precisa aprender mesmo.
Estilhacei em mil pedaços os carinhos embrulhados em forma de presente que viraram lembrança mórbida. Eu quebrei tudo em volta, expressei minha dor e descontei nos seus curativos, desculpa. Era tudo que eu devia ter dito.
Mais uma dor pra guardar.
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