deslocada

um ser que não faz parte um lugar a que tenta desesperadamente pertencer, tenta estranhamente enganar todos a sua volta. cubro meus rastros como se ninguém fosse saber que um dia eu estive ali. eu me calo subitamente pois já falei demais, já errei demais. estou ali só de corpo, pois alma não tenho e mentalmente já me matei. a sensação é de como se eu não pudesse escapar pra canto nenhum, viajar pra alguma das minhas memórias ou me perder em algum livro da vez. de ficção e aventura pra maquiar a dor de não saber pertencer a qualquer lugar, a dor de querer mesmo assim. de ouvir as vozes ao longe e querer estar no meio, do lado ou dentro... eu simplesmente não pertenço. e digo pra mim mesma que vou me adaptar. a brisa que me arromba o peito, a lágrima que é o forte o suficiente pra me perfurar inteira. o sopro que corta a garganta e me faz desistir. eu não sei lidar, nunca soube. sou esse ser limitado que não evolui e fica por isso mesmo. o marasmo de ser eu mesma me corrói de todos os ângulos, por todos os lados e de todas as maneiras, não vai adiantar esperar passar. uma angústia que me dói toda e que eu não sei fazer sarar. ferida a cicatrizar. 
eternamente. 

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