Não tem que ser bom, tem que ser meu

Cheguei a conclusão mais óbvia de todas. Quase um caderno inteiro de palavras minhas e eu ainda não tinha notado. Palavras que me cortam de dentro pra fora, e o vento leva. Que doem no coração que eu aprendi a chamar de músculo cardíaco. Com as andanças dessa vida, não sobrou nada e nem se fez questão de que sobrasse, autoestrada. Ferimentos, cicatrizes, minha boca costurada pra não dizer o que eu preciso, o que machuca mas é preciso. Exausta de precisar, querer tinha que bastar... Só um pouco, só por enquanto, só vez em quando. Eu ainda duro, sou resistente, convincente, condescendente , impaciente e sempre mais uma dose, um trago, uma ida ali na esquina pra nunca mais voltar. 

Os papéis estão me matando, eu não sirvo pro teatro, pra banda de fanfarra, pro circo ou pro espelho lá de casa. Digo, minha autoimagem vai sendo destruída de tanto em tanto, meu ego e meu egoísmo vai sendo esgotando, está se esgotando e não tem nada no lugar, pra ficar, perdurar e findar. Os trejeitos são só mais uma falha da minha personalidade autenticamente inflável, tão corroída pelo espaço que fica, que ficou e me deixou, me esqueceu na sala de embarque, no terraço de um prédio, no banheiro de um bar, na esquina de uma vida, não uma qualquer mas sim uma especial e vazia. Agora só é preciso cair em si, sair de mim, dançar até o pé doer e parar quando não der mais, não der mesmo e ter a ideia e uma platéia cheia, de vagas almas caladas. Silenciadas, desesperadas por um tiquinho a mais de vida, chega de partidas!


Hoje eu sou, o aeroporto fechado da minha própria vida. 

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