E eu aceitei de bom grado e quase inconscientemente minhas neuras, meus dramas e paranoias, todas possíveis pra um dia tão normal e comum que me deixa louca. A insanidade habita em mim por completo, mas foi nessa noite que ela se despejou como se fosse o ultimo gole. O mar aberto me chama nos meus sonhos, eu perambulo pela cidade e atravesso aquela ponte que eu tenho medo, de olhos fechados e tropeçando muito, porque é do meu feitio tropeçar. 
Eu guardei algumas insanidades pra mais tarde, é que provavelmente eu vou estar mais neurótica com relação à tudo, as fases terminam mas eu não, é triste. Vou cultivando cada ardor e a dormência dos pés piora com o frio, eu me cubro mas não é suficiente, o choque térmico é de dentro pra fora e aí vai uma verdade: eu não sei lidar, nunca soube. Eu corto caminho e sigo mesmo assim, sem saber o que fazer. 
Fico entre as dúvidas e as certezas, faço uso das metáforas e figuras de linguagem como se fosse algo tão real à ponto de não ser banal. As cicatrizes aqui deixadas jazem como uma alma que não achou um bom lugar pra ficar e voltou. Ninguém aqui quer ajuda, eu quero ser ouvida sem parecer idealista. Eu tinha um projeto só meu, mas ficou pela metade porque eu não sei terminar nada. E olhei pela fresta da porta mas tudo que eu vi foi como falta algo em todo lugar. 
Eu só não sei a razão de alguém ter aberto um espaço no céu pra mim, de noite é quando eu enxergo com mais clareza, um paradoxo ambulante. Caminhar junto é quase tão bom quanto correr, mas fica faltando uma palavra e não acaba bem, sempre falta alguma coisa que deixa todo o resto sem sentido. 
A gente só sabe errar e berrar (…)

Comentários

Postagens mais visitadas