É mais do que o impulso de voar. Parece coisa de quem enfiou o mundo na minha frente pra não me deixar escolha, então eu atravessei os becos e pulei as grades cortantes. E fiquei ferida por passar tão rápido por essa unica grade que me separava e me protegia, eu pulei e voei alto. Varro a poeira de dentro de mim mas ela não quer sair, como minúsculos pedaços de sujeira que grudaram e não querem se soltar. Eu adivinho o que você vai pensar no dia seguinte, é típico depois de qualquer ato meu que você não tenha previsto. Você para no meio do caminho, dá meia volta e corre pra casa porque não quer me ver desolada e precisando de ti, que é tudo que você não precisa ouvir, não hoje nem nas suas circunstâncias incrivelmente impossíveis de me contar. Eu sou uma fardo, uma pedra no sapato, aquela chuva que atrapalhou o movimento e te fez chegar atrasado no teu compromisso de não me fazer companhia pelo resto da noite. Tudo bem tudo bem, eu alterno entre dizer e acreditar. Portanto é isso, atiro você pra longe porque me faz mais mal do que bem e sei que já ouviu essa história. Mas você me atirou primeiro, atirou em mim e não entrou na frente pra me salvar. Eu morri esperando, morri e acabou.
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