Olhos de vidro (...)
Ainda fazem questão de lembrar os olhos que foram deixados para trás. Eles trazem à tona o que outros enterraram no passado. Fica vivo na memória e refletido no espelho, esses olhos que ninguém vê mas todos quebram. Os olhos que são a unica luz num quarto escuro, esconde a faceta mais improvável e guardam as lembranças que um dia foram mais que reais. A gente ata e desata os nós, costura a boca e fecha os ouvidos e os olhos ali ficam, se fincam e se fixam. Os olhos só não queriam ver o adeus como a silenciosa despedida sair dos seus lábios. Fez de tudo pra não olhar quando tu fosse embora, foi embora antes. “Se foi”… Não é mais uma dúvida, ele se foi. Os olhos sabem disso, a ignorância é um privilégio.
Meus olhos céticos e supersticiosos levam um emaranhado de erros e acertos, a dúvida não é mais um benefício, eu sobrevivi à ignorância afetada. Resignada eu vou me aprimorando na arte de reconhecer, outros olhos que fizessem nascer. Me afasto e jogo fora os olhos que não residem mais aqui. Porque não posso trocar as lembranças que um dia foram boas. Num ato de desmerecimento não há mais amor nos olhos que agora só atormentam e me levam provando coragem, no intuito de nunca me deixar voltar, nem quando a lua se apagar. Não tem banho de calmaria que resolva os olhos que se derramam e esperam que chuva se derrame também.
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