Mantenho as conversas vazias e a boca fechada, faz um tempo que você não é citado. Eu bati as portas e fechei todos os caminhos e não tomei nenhum rumo desde então, ainda não aprendi como se conserva uma coisa sem destruí-la por inteiro. Eu olho o céu no final da tarde e ele me encara quase dizendo, pra fazer algo à respeito: correr ou ficar parada? Eis a questão que eu não sei resolver e se torna mais um dos meus emaranhados. Não consigo ver nada nessa imensidão que você disse que tinha, nem o horizonte ou o vazio, a tempestade que levou tudo deve ter levado meu nada também, meu único nada e o que quase me fez deixar de ser uma cética ou uma jovem-garota-rancorosa-e-ressentida, eu sou o fim dos tempos e nós sabemos bem disso, quando você olha pra mim diz coisas que me fazem ir além, porém quando eu digo de volta, uma resposta: eu volto pro nada e o vazio de antes, fica fazendo o maior sentido do mundo porque é tão real e eu, não posso distinguir o sonho da realidade agora. Nós não nos conhecemos tão bem assim, todo dia eu me surpreendia contigo e via o brilho dos teus olhos ir embora sem mais nem menos. E todo aquele ódio disfarçado de amor e rancor disfarçado de perdão tinha prazo de validade. A gente não se perdeu amor, é verdade.
A gente nem se encontrou (…)

O nada e o vazio são mesmo farinha do mesmo saco. 

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