Sobre abraços, cicatrizes e saudade.

Hoje foi um dia especial, ele tinha obrigação de ser especial porque era meu aniversário, eu tinha que NÃO ficar triste, mas foi impossível e notável pra quem me observou muito e não constatou nada durante todo o dia, ainda bem porque ia me sentir sufocada e vigiada. Lembrei dos abraços calorosos com que você me recebia e você era todo amor possível comigo, ao mesmo tempo que era você mesmo. Eu senti um brilho diferente nos seus olhos, mais precisamente vi o que precisava ver, não tenho certeza de nada agora e tudo ainda é um grande talvez pra mim, mas não grande o bastante. Os abraços tem mais a ver com a segurança que me dava, a impenetrável leveza que ficava comigo toda vez que você ia embora, todas as noites. 
O tempo é algo que eu queria muito de volta, mas não posso ter. Tanto que quero e não posso ter, e é tão urgente à ponto de eu me sentir só e vazia e só mais um pouco só, só mais um instante como se fosse o ultimo. Eu sinto as cicatrizes, os ferimentos que as fizeram eu ainda lembro, ainda me recordo e junto tudo na minha mente como num filme. Por quanto tempo? Eu pensava, devia ter pensado menos e me sentido mais ao seu lado, sentido o momento passar pela minha pele e não pelos meus olhos de longe. As grades do meu portão e a calçada da minha casa ainda tem resquícios das suas pegadas, uma visita rápida ou um acontecimento, um avanço nos sentimentos. Tal como uma fase que eu não conseguia passar ou mudar ou pular. Nas coisas mais simples eu ainda te sinto, AINDA é muita coisa pra mim, tanta coisa que não posso segurar sem deixar escapar e sempre volta pra mim, de um jeito ou de outro.
Eu posso escolher o dia que mais sinto falta ou saudade? Se pudesse escolher o dia em que sinto menos não estaria aqui, não hoje. E eu tinha mesmo que sentir saudade? Ou seria tão frio da minha parte não sentir nada que eu não me permiti ser sem coração, às vezes tão egoísta e outras… É de se desesperar. Enquanto os dias cortam a minha esperança em pedaços, quebram todos e escondem de mim, jogam pra debaixo do tapete e eu continuo sentindo, como se nunca tivesse saído nem pra passear ou pra sempre, ir sem volta foi a pior coisa que você conseguiu fazer por mim. Você não entende, não entende não. Que eu quero te mandar emails, uma carta, uma mensagem de texto ou te ligar, ouvir teu sotaque mais lindo de todos. Você não entende que eu tenho a chance e não posso usa-la, eu estou dentro do meu próprio filme de suspense, sem saber o próximo passo e esperando a vida ser previsível porque eu ando pensando muito em você, se ela fosse imprevisível você não ia voltar e não vai. Afinal ela é ou não? Eu não sei, eu não saio, eu não sou e me sinto deslocada, descolada do meu corpo, do meu ser. Saudade faz isso meu bem, faz tanta coisa sem saber pra quem.

Comentários

Postagens mais visitadas