E agora? Eu entrei em desespero, isso mesmo. Eu tenho vontade desse amor burro e inconsequente, que de vez em quando penso em levar comigo sempre. Mas não, não adianta. Eu quero você aqui mas quero você longe porque me deixa doente, eu acho que sou a doença em pessoa e não sei me curar sozinha. Sem conselhos e receitas eu vou levando, nada de muito leviano que faça eu te esquecer, até porque eu não consigo, não consigo tentar. É estranho né? Eu tentei tentar e não consegui, é esquisito demais. Como é que faz? Pra guardar esse amor aqui do peito em um lugar seguro e querer apenas sentir essa sensação mais uma vez, em vez de cansaço e monotonia?! Eu não sei. Enfim, eu acordei mas já voltei pra cama de novo, nada de muito produtivo, só as mesmas coisas de sempre, eu já me conformei. Acho que o meu maior defeito é esse: sou conformada demais, eu me contento com pouco e já acho que é muito, só vou perceber que é pouco quando já acabou e não tenho coragem de pedir mais, de pedir de volta. Mas eu queria, volta. Eu sei que você não pode ouvir o meu grito que ecoa só no seu silêncio, mas só eu consigo ouvir. Eu não queria pedir, eu sou igual à você. Te conheço tão bem, e sei que ainda existe a possibilidade de você se sentir assim também, como se ainda me conhecesse, como se estivéssemos voltado no tempo e há um ano ou dois, eu te conhecia: só não sabia. Mas você confessou pra mim, eu estava certa e você admitiu isso, quando você admite alguma coisa?! Algo está errado, eu desconfiei mas logo me calei, pra não estragar tudo de novo, dessa vez por minha causa. Você admitiu e disse que não queria me perder, eu tola acreditei ou não, quem sabe eu não seja tão tola assim, tantas coisas contribuíram pra isso acontecer. O meu conformismo, a sua insegurança e seu desânimo me afetaram demais, cheguei até a ser você, não te disse?! Eu fui você por muito tempo, meus amigos percebiam que não era eu, mas não sabiam que era você, só eu sabia. Eu fui suas risadas, sua ironia diária, seu mal-humor e sua culpa, eu fui até seu silêncio, eu fui tão você. E agora, pra quê? Não consigo mais voltar a ser eu, como antes, eu nem me lembro de como eu era antes de você, me esqueci de vez. Como pode?! Eu esquecer de mim, mas não de você… Que coisa injusta! É, mas o amor nunca é justo, eu só digo que já me acostumei, mas não me acostumo nunca.

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