Eu estou rondando em mim mesma, desde que você se foi. Não sei… Faz tempo, eu juro que não queria me lembrar que faz tanto tempo assim. Mais precisamente quase cinco meses, eu não consigo acreditar, é tão irreal pra mim. Eu estava “tocando” minha vida, quando por um acaso ou não, eu passei em frente a sua cafeteria predileta, eu reconheci. O moço do balcão também me reconheceu, e reconheceu também que agora eu voltara ali depois tanto tempo e sozinha, estragada e infeliz demais pra deixar escapar algum riso ao lembrar de você. Você sabe eu não gosto muito de diálogos, mas os nossos é impossível de esquecer e sim eu tentei. Eu tentei, eu precisava, como eu ia saber se ainda ia vir chuva por aí ou não? Mas a chuva nunca é simples, eu me lembro de ter esse pensamento e automaticamente associa-lo à ti. Não é culpa minha você ter deixado tantas coisas boas na minha memória indestrutível e ter ido embora sem leva-las. De tempos em tempos mudo de opinião, outro dia eu nem sequer opinei, preferi deixar tudo como está, só hoje: porque eu nunca deixo mesmo. Achei que eu tinha que mudar alguma coisa dentro de mim, eu tinha certeza disso, mas preferia não ter, não saber, não lembrar. Eu não tive coragem de te expulsar da minha vida assim como discretamente com esse seu silêncio que corta o ar, você fez comigo. Eu ia dizer “sem dó nem piedade” mas na verdade não iria querer que você tivesse dó ou piedade de mim, ou pior: voltar pra mim por isso. Eu não, assim não. Volta, eu queria te devolver do mesmo jeito que você veio, te mandar pra longe mas com um cartão postal daqueles bem bonitos de se olhar o dia todo e admirar nos outros dias, e namorar por meses. Eu sei que você sabe que sensação é essa, mas eu já não quero mais essas coisas se elas vem sem você amor, eu sei que você entende. Eu sei que você é bobo, orgulhoso e teimoso demais pra voltar atrás, ou talvez você ainda não tenha me dado notícias porque de certa forma eu disse que preferia assim, se você me magoasse de novo. Eu sei que eu sou de guardar rancor por anos, e isso é um defeito imenso mas você não sabe, não sabe que eu tenho esses defeitos do tamanho do mundo, que me fazem ficar cada vez menor perto deles. Eu me sinto egoísta por te pedir de volta, eu nunca fui assim. Me sinto errada, sempre errada: eu sempre vou achar que é culpa minha. Eu acho que estou incomodando todos os outros na sua ausência, eu não sei ser a mesma por tua causa. Eu não sei como é o amor, talvez ele seja bem maior e mais poderoso que isso, mas agora “isso” é o mais forte que eu sinto, e juro que quero aprender como esquecer de sentir. Eu te fiz promessas, você fez mas foi você quem acabou estragando tudo primeiro, eu nem tive a oportunidade e acho que se tive, eu usei dela demais. Eu não sei reconhecer nem distinguir e odeio o fato de você não conseguir notar isso. Eu já fui mais boba mas também já fui tão mais feliz. Eu volto à pensar se isso é o que chamam de “amadurecimento” que acontece com todos, um dia. Eu costumava pensar se você me acha menina demais, pequena demais, frágil demais, só demais entende? Inconstante demais, sufocante demais, arfante demais, dramática demais e por aí vai… Nunca acaba, eu sou em excesso. Me desculpa não fui feita moderadamente como você merecia ou como eu acho que você merecia, mas você também devia aprender muitas coisas, como por exemplo: não abandonar as pessoas sem mais nem menos, e o deixa-las sem eira nem beira, sem rumo nenhum. Talvez essas “pessoas” seja só eu, mas eu não sei. E agora não adianta muito voltar pra casa e quase tentar esquecer por mais cinco meses, porque eu vou voltar, chegar e afundar de novo. Vou me embaralhar, vou me abalar como se fosse a primeira vez novamente, vou sofrer tudo de novo. Eu só não sei mais se eu te espero por mais cinco meses com essa sina que não desgruda, ou se de vez decido te esquecer, mesmo que não esteja “decidido” de verdade, eu tenho que começar por algum lugar.

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