Eu sou aquela que teve medo desde o começo, mas não admitiu nem pra si mesma. Quando ando na rua pareço ter vontade de encontrar alguém, não sei quem. Quero esbarrar por acaso com um trevo de quatro folhas ou com uma moeda virada, porque dizem que dá sorte. Eu tenho a sensação de que preciso me sentir assim e preciso procurar por isso, saindo de casa… Que já é uma grande aventura pra mim. Eu vivo escondida como se tivesse algo à temer, talvez eu tenha mesmo, mas não descobri o quê. Por que me olham de lado? Não sei. E disfarçam e refazem suas caras inconformadas pra mim, mas eu notei. Sou detalhista demais com essas coisas, mas com outras não. Eu observo mas não encaro. Eu crio mas não solto pro mundo. Eu mesma me encurralo numa leveza que eu não tenho, eu sou pesada demais. Só não finjo, não obedeço, sou desobrigada com minhas obrigações. Sou liberta demais pra algumas coisas e prisioneira demais pra outras.

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