Estou sempre querendo achar uma explicação para o que eu sinto.
É por isso que dou com a cara na parede tantas vezes, escrevo desabafos impulsivos e deixo exposto, sentada nos degraus da calçada que cobre a frente da minha casa. 
Estou acordando de tarde por medo de levantar da cama e permanecer tantas horas na rua que não queira voltar sabe? Tenho medo de mudar de ideia, de mudar. 
De repente o inverno chega e as folhas param de cair, não termina como eu pensava. 
Leio incessantemente e dou atenção de menos para os que ainda demonstram querer minha companhia, até o dia que eu cansar eles também.
Eu penso que esse dia não está longe, sou monótona e inofensiva, não luto nem agarro. Eu deixo escapar o intocável. 
Um dia importante chega, não te convido pra festa. Sou desumana aos teus olhos, só quero saber o que se passaria se eu fosse um outro alguém, com outra conduta e outras considerações. E se eu morrer amanhã você vai sentir falta e chorar? Ou vai morrer comigo? Se atirar de um abismo, entrar na frente de um tiro. De repente quero saber e sou curiosa o bastante pra te bater a porta, quero respostas. 
Porque quando criança eu me escondia em vez de correr com as outras crianças? Essa sempre foi uma cisma ou sina minha. Agora que cresci os papéis se inverteram. Procuro e não acho, ninguém nem nada pra me salvar desse interrogatório comigo mesma. 
Porque hoje é um abraço que me salva.
Amanhã pode ser um beijo. 
Depois eu vejo seus olhos se fechando antes dos meus.
Não há nada pra comprovar, mas eu morri com você.

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