Parece que não aconteceu.
Foi um sonho muito bom e eu acordei com seu cheiro mas não aconteceu. Me olhei tanto no espelho e quase me belisquei feito uma bobalhona que ainda não viveu as coisas mais bestas (e boas) da vida. Olhei portão afora depois que amanheceu, eu acordei e andei pela casa, perambulando como se ainda houvesse lugares aqui, que eu não conhecia… E não conhecia mesmo, não com essa sensação dentro do peito. Eu queria te falar, eu não queria te deixar escapar, se esvair pelas minhas mãos como se eu não pudesse fazer nada pra impedir, porque eu posso, você espera que eu possa. 
Queria te dizer olhando nos teus olhos quando você reclama que não o faço, e não o fiz, desculpe amor, eu não consegui ser parecida com você essa noite, assim tão perto. Nossas respirações ofegantes e nossas testas coladas não me deixam mentir, gosto de você mas não gosto de ficar nervosa, trêmula e de pernas bambas por isso.
Eu quis sair cambaleando por aí quando você chegou, mas não saí. Tanto que faltou fazer.
Os cálculos matemáticos que me dão dor de cabeça desde sempre, você me faz sentir idiota e uma tola por não conseguir resolver. Te chamei aqui pra me ensinar sobre os tais números complexos e as circunferências sei lá de onde, eu realmente queria aprender. Quando te vi, minhas veias esqueceram completamente como se bombeia o sangue pro coração, parou tudo. Esqueci o caderno na mesa, o livro no sofá, o estojo em cima da tevê e é assim, antes de você entrar aqui já era assim, tudo bagunçado e desorganizado porque não era pra ter nascido menina, eu juro. Mas se você me troca por vídeo-game e futebol, eu tenho vontade de escrever e vou, escrevo com os dedos grudados no piso molhado que a chuva deixou. E na minha caixa de rascunhos predominam essas inconstâncias, variam de acordo com as suas. Quase optei por viver tão longe que não se possa enxergar, mas essa noite eu perderia as estrelas e amanhã não tem luar.



Pequenas epifanias que se escondem antes do banho […] 

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