Quero saber até onde você vai com esses bolsos rasgados, até o fim da rua ou até fim do mundo? Te procuro dentre as paredes dessa casa que já não é mais tão bonita e bem conservada como antes, ela sobrevivia das nossas conversas estupefatas e das nossas risadas dramáticas que ao longo do tempo se tornaram fajutas. Procuro alguma coisa que tenha sobrado dentro do armário mas nada, nada com que eu possa ficar, nada pra substituir você.
Não entende que não posso deixar esse buraco no meu peito -onde ficava alguma coisa tão essencial na minha vida-, ficar oco. Ouço o som das portas batendo, uma atrás da outro, um som mais perturbador que o outro. Tenho a impressão de ter uma ferida exposta e rua empoeirada inflama tudo aqui dentro. Meus olhos ardem e bocejo pra disfarçar, coloco o óculos que quase não me serve mais, meu problema aumentou e você nem quis saber.
Tenho me achado apática e estou surpresa porque não me importo tanto quanto me importaria, alguns meses atrás. O quarto é escuro e são quatro da tarde, você não vai querer saber o resto mas eu conto, eu crio. Desço as escadas rapidamente porque elas não parecem me sustentar como antes, nem meus pés me aguentam mais. Quebrei duas xícaras hoje de manhã, eram minhas preferidas, não as tenho mais. Nada parece muito profundo diante de qualquer bobagem que você diga.
O tempo passa e não sinto mais tanta falta xícaras, porque com você não é assim? Me olho no espelho, há dias que não me percebo tão nostálgica e uma dor no coração se espalha e se estende pelo resto do corpo, tendo à enlouquecer daqui à pouco. Mãos trêmulas, boca seca e perna bamba. Assim como começou, acabou. E agora eu não passo de um corpo gélido e uma mente alvoroçada perto da meia noite.
Daqui à pouco ainda não chegou, comprei xícaras novas e voltei à me olhar no espelho.
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