Seus olhos inundados de solidão
Fiquei triste ao notar que seus olhos não tinham mais aquele brilho de sempre, às vezes eu via insanidade neles mas fingia não notar, pra não ter que falar sobre o assunto. Quando te vi entrar por aquele portão com os olhos inundados de solidão, soube que você não era mais o mesmo e já fazia tempos. Aproveitando a vida lá fora você não estava, olhando pelo canto do olho quando eu te olhava e você desviava. Desci ladeira abaixo quando vi seu sorriso amarelado se esfarelar como um todo, faltava algo.
Mantive minha coerência durante dias, mas a cabeça erguida foi um passo difícil. Foi notável a distância que eu tive que encarar de ti, me segurar pra não correr e me enrolar no teu abraço, cantarolar canções que na hora faziam total sentido e não me sentir tão boba assim do teu lado. Minha teimosia é maior que eu, o medo era perceptível mas eu fiquei de pé, não chorei nem nada. E não chorar foi a pior parte. Pular de um calcanhar pro outro não estava dando certo, me apoiar em amigos era egoísta demais e fajuto, eu juro. Mas na hora não pensei, à não ser em você.
Toquei o chão com as mãos e tive vontade de me abaixar mais e mais, até me encontrar dormindo nesse lugar tão vazio e frio que é o chão, mas era a ultima opção. E tudo ao redor parecia dormir também, na primeira noite de setembro que eu não acordei. Os nervos tremiam dos pés à cabeça, mas você dizendo… Não me esqueça, foi inevitável […] Não esqueci.
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