Abril
Não acontece nada especial e eu morro todos os anos, com a falta. E cada mês parece ter o peso desses anos que passaram, tão rápido e devagar. Caminho em direção à minha própria cova mas não sou má, o céu está lilás e ainda há esperança pra mim, olhando de longe mas olhando por aqui.
O mês se arrasta com correntes no tornozelo, eu estou presa, eu vejo. Sou uma canção esperando pra ser ouvida não compreendida. Deixe que eu mesma cuido disso, dessa parte de mim você não vai precisar cuidar. Cavo um buraco fundo, me reanimo como se estivesse em coma e acordasse de súbito, ninguém à minha espera.
Passo por elas e peço silenciosamente que me socorram, eu estava amena à pouco. Sei o que me causa e quero deixar de depender. No vácuo eu vejo como é pra quem não está aqui, pra quem não viu seu corpo sumir. Quando na verdade eu só queria dormir.
É pouco mas sinto, não é resto. De pouco em pouco tornou-se muito, é chegada à hora e eu me escondo, não me mostro, só me guardo: em caixas, gavetas, cartas e uma porção de outras coisas que não é possível achar.
Os dias insuportavelmente monótonos deixam à desejar na monotonia, o vazio ficou cheio e transbordou de tanto, tanto que tinha e se foi. Eu nunca penso estar assim, tão levemente insatisfeita e perturbada com tudo , com o rumo que tudo toma d’uma vez e não volta pro lugar, nunca.
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