Ecos de nós

Fiz lavagem à seco nas minhas roupas de dentro, precisava tocar em algo que não fossem minhas cicatrizes de criança crescida. Depois que vi as marcas tão evidentes, tive certeza: não foi sonho. Batendo o queixo de tanto frio, mas era lá que eu queria ficar. Eu sei que tem alguma coisa a ver com a gente, sumindo entre atalhos e chegando à lugar nenhum. Subindo o mais alto que posso, de tão longe já não posso ouvir os meus gritos internos e os seus sussurros indo mais longe, mais e mais. Fiquei estagnada com o seu modo de mudar e me tratar. Mas não falei nada na hora, não falei nada ainda, agora. Não preciso de espaço, acredite. Eu só acho que preciso mas não preciso, consigo ter certeza as vezes se tentar. Desliguei todos entulhos que me fazem lembrar você, tive que desligar dentro de mim. Não quero usar metáforas, quero ser direta mas você sabe lá no fundo, que eu nem tento.
Como eu pensei em fazer as malas e me mudar, me mandar. E você não dá trégua nem paz. Assisto de camarote todos os seus chiliques e falar de arrependimento, é quase um hábito logo que despeja tudo em mim, assim sem nem ter o que falar direito, você também não é direto. E as coisas são muito pessoais, cada palavra que eu uso no dia-a-dia foi proferida antes d’eu lembrar que você existia, aliás acabei de lembrar. [Mentira bonita, bonita mentira querendo ser verdade] E depois que dei todos os passos adiante, quase segui em frente mas comecei tudo de novo. Não tem nada mais velho que tudo se misturando, como as minhas cores preferidas, tenho poucas. Como você: não tenho nada. Vou deixando de ser bagunça pra você não se cansar de procurar, e não cansar de me falar até me fazer acreditar, que é de mim que você gosta. Assim tão simples, assim tão bobo. 
Então eu disse que ia parar. Eu sempre digo algo do tipo pra me acalmar. 
Two is better than one

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