Eu acho que entendi, espera…
Sou um corpo que quem vê de fora, vê desocupado. E então entram pessoas diferentes em mim, todos os dias. Ontem veio a curiosa e especuladora que vive entre o caos das cidades, ela vive no caos. Antes vieram tantas outras, elas conheceram lugares e sentiram sensações que eu nunca senti, não hoje nem agora. Elas não abrem a boca pra falar bobagens ou coisas óbvias, ou coisas óbvias são bobagens? Não sei, não gosto da lógica, não me faz pensar e eu gosto de pensar, raciocinar pra ser mais exata. E um dia qualquer de setembro chegou uma vivida e que achava demais, obcecada por detalhes e estraga-prazeres de todo mundo, é isso mesmo. Mas todos os dias tenho a impressão de que uma supera a outra e não tenho certeza se isso é bom, eu nunca tenho certeza de nada. Ah, sim! A que bateu minha porta interna hoje foi uma insegura e independente, como pode? Seu sonho era sair de casa e saiu. Mas ela nunca pediu pra perder o medo e nunca perdeu. Altas horas da madrugada e ela cochilando e era só abrir o olho, pra tornar a velejar pelas palavras novamente. Compulsiva sim, tinha em mente uma filosofia de vida, dessas que a gente tem que ter pra seguir em frente, ela nunca queria enfrentar. Gostava de doces e comia sem culpa, tentando não parecer apática diante dos colegas, disfarçava. E uma opinião formada sobre as coisas não podia faltar, mas esquecia de se atualizar e ficava pra trás. Agia por dores fortes ou alegrias intensas, sem meio-termo. E me identifiquei com ela, sim sim. Ela parecia um livro aberto, porém o enigma maior subentendido. Quando chovia ela queria chover, quando fazia sol ela queria chover e quando o inverno chegava ela queria? Adivinha, chover muito […] Choveu tanto que ainda respiga em mim, os ares de outubro fazem bem à ela. Chover era bom e ela adorava, mas doía quando nos outros, respingava. Doía e ela não sabia, muito tempo ficaria sem saber, ninguém contaria e ela sempre fora péssima em percepção. 

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