Nunca mais faça esse silêncio aqui!
Eu disse e ele saiu por aquela porta e quase quebrou as janelas por onde eu olho, quando ele se vai. Ele não entendeu o que eu quis dizer, ele nunca entende. Sobre tanta falta eu escrevi, nas noites de luar eu chorava e fingia que as estrelas eram minhas. E todas os dias que pareciam noites e os medos que acumularam e faziam barulho aqui dentro, ele não entendia. E quando as flores murcharam e o inverno chegou me deixando à margem de mim mesma, ele quase me entendia: me chamava de louca. Eu tentava rasgar suas lembranças como eu rasgo fotos e jogar fora a saudade, como eu jogo uma embalagem. Tentava não contar os minutos mas em vão, ele ainda não entendia. Saia pra encontra-lo mesmo sabendo que ele não iria, eu ia e virava refém do acaso, quem dera ele me quisesse. Apaguei as luzes e as toquei palavras, senti as dores de dentro como nunca. Acalmei e boca e falhei na hora de falhar, eu sempre falho. E alguém vê que é coisa corriqueira sempre acontecer alguma coisa, uma fonte inesgotável de planos que não deram certo. E achei as frases que faltaram na hora que eu senti que ia falhar, achei mas não falei. Os azulejos azuis que cercavam o banheiro e o deixavam com um aspecto ao menos apresentável e simpático, não faz mais tanto efeito. Eu escolhi azul e quase o escolhi como pessoa, mas não pode, não posso. Ele tem as características que eu gostaria à primeira vista em alguém, quase me consolei por não ser uma pessoa e estar enfeitando o meu banheiro, esperando o verão chegar pra acumular calor de fora, mas nunca o de dentro.
Esse eu já nem espero.
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